
(Foto de Kuzuch, CC-BY-SA 3.0)
É prática comum em Portugal, atrasar o pagamento das facturas. Pode-se ouvir um pouco por todo o país certos gestores a dizerem: “Cá na empresa pagamos mal, tarde, ou nunca!” – e é de facto o que fazem.

(Foto de Kuzuch, CC-BY-SA 3.0)
É prática comum em Portugal, atrasar o pagamento das facturas. Pode-se ouvir um pouco por todo o país certos gestores a dizerem: “Cá na empresa pagamos mal, tarde, ou nunca!” – e é de facto o que fazem.
Este governo (e os governos anteriores) mostra uma aversão incompreensível à tomada de decisões que tenham impactos económicos visíveis. O mesmo pudor é aparente em relação a medidas que melhorem a máquina do estado, ou que enfraqueçam os interesses instalados. Parece que têm também preguiça em desenhar e implementar medidas. O amigo Álvaro parece sofrer muito deste torpor.
A lista de medidas anti-crise é longa e cheia de insucessos. Desde 2008 são tomadas medidas torpes, muitas vezes contra a própria economia. Parece ainda pensar-se que temos hipóteses de competir via o abaixamento dos salários, como se estivéssemos numa corrida para ver que consegue ser mais miserável e como se tivéssemos alguma hipótese de ganhar essa corrida.
Uma medida muito simples que o governo podia tomar, com grande impacto económico, seria a eliminação pura e simples dos subsídios de férias e Natal. Obviamente que isso não implicaria o abaixamento dos salários, simplesmente aumentava-se em um sexto o salário mensal médio (será o mesmo que pegar no salário bruto e dividir por doze para obter o salário mensal, em vez de 14 como agora fazemos) e deixava-se de pagar os subsídios. O trabalhador não perdia um tostão.

O que sobra - Sorrisos de Vacas
O Jorge escreveu um excelente post sobre a forma como a dívida contraída pelos governos consumiu os recursos do país não nos deixando recursos que permitissem o desenvolvimento real e sustentado.
Quero aqui acrescentar o seguinte: temos tendência em culpar de todos os males o nosso endividamento (público e também privado, este último de muito maiores proporções). Mas convém não esquecer as outras asneiras enormes que os vários governos fizeram.
Por exemplo, o processo de privatizações foi de uma forma geral mal conduzido, dando preferência à “devolução” aos antigos grupos económicos dos activos que entretanto tinham perdido, em vez de se usarem as regras de mercado para o efeito. Havia na altura a sensação de que as indemnizações dadas a quando das nacionalizações não teriam sido justas face ao valor dos activos. Assim estabeleceram-se muitas negociações entre o governo e os antigos grupos económicos tendo em vista estes últimos voltarem a tomar posse das empresas.
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Valores dos titulos a atingir a maturidade
O gráfico anterior ilustra as necessidades de crédito imediatas de três bombas relógio. As cimeiras europeias não fazem nada para resolver este problema. Tanto a Itália como a Espanha estão a atingir valores de financiamento que fazem com que o roll over destes bonds seja impossível de fazer. Como vai ser?

É evidente que os governantes já não sabem o que fazer para aplacar a presente crise. Estão desorientados e dão muitas mostras disso. Mas não se ficam por aqui. Ontem o Ministro das Finanças anunciou que o estado vai absorver os fundos de pensões dos bancos nacionais, chegou a declarar:
Este encaixe vai permitir o pagamento de dívidas das administrações públicas, contribuindo assim para o processo de diminuição do rácio de transformação dos bancos portugueses e o financiamento da economia.
[Jornal de Negócios]
Isto são sinais inegáveis de loucura.
O “La Stampa” anuncia hoje que o FMI está a preparar um resgate de 600 mil milhões de euros para a Itália (também saiu uma nota no Público).
Actualização: O FMI já veio desmentir a notícia do La Stampa.
Há alguma campanha montada para denegrir o Grupo Espírito Santo? Ou há fogo por baixo deste fumo todo?
Ontem saiu uma notícia no Público que aponta o envolvimento do presidente do BES Angola em esquemas de branqueamento de capitais. Lá teve o senhor Álvaro Sobrinho de pagar uma pequena fiança de 500 mil euros. Curiosamente a notícia já não estava na primeira página do Público on-line pela hora do almoço, mas não entremos em teorias da conspiração, o Grupo BES gasta muito em publicidade.
Há muito mais do que isto…
O FMI anunciou hoje em comunicado que António Borges comunicou à Directora Christine Lagarde a sua intenção de deixar o FMI, com efeitos imediatos, por motivos de saúde.
António Borges ocupou o cargo em Novembro de 2010 pela mão do tristemente famoso Dominique Strauss-Kahn.
O substituto foi imediatamente apontado pela Directora do FMI. Quem vai desempenhar o cargo vai ser Reza Moghadam que entra em funções amanhã.
As palavras de circustância de Christine Lagarde foram (traduzidas à pressa):
António Borges conduziu o Departamento Europeu durante um periodo extremamente difícil para os membros da Eurozona. A sua vasta experiência no sector público e privado, e a sua experiência académica, combinadas com a capacidade de criar fortes relacionamentos com as autoridades dos países membros, foram de grande valor para responder a esta crise.
Espero ansiosa que Reza Moghadam, aplique ao nosso trabalho na Europa, a mesma visão estratégica, ímpeto e cuidado que demonstrou ter na sua anterior posição. A excelente prestação em todos os postos que ocupou no FMI bem como as suas qualidades de liderança fazem de Siddharth Tiwari uma pessoa qualificada para ocupar o cargo deixado vago por Reza Moghadam.
Tendo em conta o exemplo Grego e Italiano temo que alguma mudança governamental esteja na calha para Portugal. Será que o Gaspar se quer ir embora? Estamos a assistir a uma dança de cadeiras destinada a consolidar as políticas da Sra. Lagarde? (Pura especulação.) Ou o homem está mesmo doente?
Todas as opções são más.