Concessionar os transportes: lucro puro

Voltam a insistir nisto:

  • Data: 2014-04-02 08:03
  • Fonte: Público
  • Autor: Raquel Almeida Correia
Concursos vão ser agregados para as empresas do Porto e de Lisboa. Privados recebem renda pela exploração e manutenção do serviço. O Governo pediu às empresas de transportes que preparem as concessões no sector até ao final de Abril, dando orientações sobre o modelo de abertura a privados com base na consulta pública lançada em Fevereiro. Além de ter decidido que haverá apenas dois concursos, agregando as redes de metropolitano e autocarro de Lisboa e Porto, ficou estabelecido que a dívida das quatro transportadoras em causa, superior a 9000 milhões de euros, permanecerá do lado do Estado.

Leia no link seguinte o artigo completo: Governo quer concessões nos transportes prontas até Abril mantendo dívida no Estado Cache

A dívida fica do lado do estado. Esta não é uma dívida qualquer, é a dívida resultante do investimento que as empresas foram forçadas a fazer. Notem que isto foi feito muitas vezes obedecendo a calendários eleitorais em vez de obedecerem às necessidades dos cidadãos, mas adiante.

Como se o anterior não bastasse, esta é uma concessão muito estranha, é o estado que paga ao privado uma soma fixa com a possibilidade de a isto se somar uma componente variável. Todos sabemos como acabam estas histórias (lembrem-se das portagens das SCUTS, das pontes sobre o Tejo, das rendas da energia, das PPPs, etc). O estado acaba por ficar a pagar mais do que gasta hoje em dia.

Ou seja, é um negócio muito apetecível, o estado assume os riscos, garante os lucros. Os privados não investem, não assumem riscos, ficam com os lucros. É a aritmética normal do estado português.

Infelizmente isto continua a ser muito actual:

(O Álvaro em Outubro de 2011.)

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Campanha de difamação dos transportes?

A estratégia para as empresas de transportes públicos parece ser mandar uma quantidade de poeira incrível para o ar para, na confusão gerada, o governo conseguir fazer passar as suas “políticas” com tranquilidade (coloco políticas entres aspas porque cada vez mais, as medidas deste governo, se parecem com dogmas, muitas vezes surreais).

Uma dessas ideias foi comunicada pelo ministro Álvaro numa audição parlamentar de triste lembrança, nas chamadas linhas orientadoras do PET, no oitavo slide, pode-se ler:

 

Metro de Lisboa. Encargos com juros. 101M. Passivo 1.372M. Oferta superior à procura em 400%

 

A desinformação é tanta que, confesso, na altura nem sequer liguei a esta questão da “oferta superior à procura em 400%“. Esta é uma das características da propaganda dos nossos governos: é insidiosa, vai fazendo chegar até nós informação desenquadrada, não completamente falsa. É com esta informação fragmentada que depois, nós tomamos decisões, isto não é uma atitude de boa fé, de pessoas de bem.

Neste caso descobri a verdade, mais completa e enquadrada, no excelente artigo: A novela do PET em 16 de Outubro de 2011, o dia seguinte ao dia dos indignados do blog fcsseratostenes.

 

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Ironia do Metro de Lisboa

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Goze a viagem? Estão a gozar com quem?

Reparei nesta decoração numa carruagem do Metro de Lisboa, paga pelo Ministério das Obras Públicas Transportes e Comunicações. Não deixa de ser irónico se tivermos em conta os rumores que andam a circular.