Ainda sobre o HSBC

Entrevista com Hervé Falciani de onde originou o caso “Swiss leak”. Discute-se o papel da CIA no acesso aos dados do HSBC, mostra-se um pouco do sistema mafioso instalado pela finança e a forma como é utilizado para corromper a classe política.

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Os bancos não são pessoas de bem: Credit Suisse acusado de fraude nos Estados Unidos

  • Data: 2014-12-26 12:29
  • Fonte: Público
  • Autor: José Manuel Rocha
Banco cometeu irregularidades na venda de produtos financeiros e arrisca penalizações de 10 mil milhões de dólares O banco Credit Suisse arrisca pagar multas e indemnizações a clientes no valor de 10 mil milhões de dólares (cerca de 8200 milhões de euros), no âmbito de uma acção que corre nos tribunais de Nova Iorque e em que a instituição é acusada de fraude na venda de produtos financeiros tóxicos antes da recessão de 2008/2009.

Pode ler no Público: Credit Suisse acusado de fraude nos Estados Unidos Cache

Diferenças de critérios

Um trabalhador da City, Jonathan Paul Burrows, foi proibido de trabalhar no sector financeiro porque, durante anos, usou um esquema para não pagar a viagem de comboio diária que fazia. O crime era tão simples como entrar numa estação de província, sem controlo de entradas (por torniquetes ou cancelas) e, depois, sair em Londres usando o passe que cobra apenas as viagens dentro da cidade. Burrows já pagou entretanto o que devia…

A Autoridade para a Conduta Financeira julgou inadmissível ter uma pessoa com esta conduta a trabalhar num sector tão sensível à honorabilidade dos seus intervenientes.

O contraste é marcante quando comparamos com Portugal. Temos o exemplo do Ricardo Salgado que recebe presentes de milhões de euros, que não os declara às finanças e aproveita depois a lei amnistia para “legalizar” esse dinheiro. Para o Banco de Portugal isso não é suficiente para retirar o reconhecimento de idoneidade a Ricardo Salgado e com isso retira-lo da actividade bancária.

Para que serve então o BdP? – Para falhar no caso do BPN, no caso do BPP, no caso do BES, etc, etc, etc…

Mais um crime perfeito

Em Portugal é legal duas partes entrarem num contrato via telefone. É claro, como isto é Portugal, a parte que devia ser mais protegida, isto é, o consumidor final, é aquela que tem de arcar com mais responsabilidades.

A coisa passa-se mais ou menos assim, o comerciante ou entidade que faz o contrato tem a obrigação de guardar o contrato em suporte duradouro (ver DL 143/2001, de 26 de Abril, artigos 4º e 5º). Em regra isto traduz-se apenas numa simples gravação. No entanto, se o consumidor final quiser ouvir essa gravação, para por exemplo tirar dúvidas sobre o que contratou, há técnicas simples e eficazes para atrasar esse procedimento. O comerciante pode simplesmente dizer que, por motivos de segurança, a pessoa apenas pode ouvir a gravação na sua sede, que por acaso é na outra ponta do país. Além disto, se o cliente final quiser anular o contrato sem sofrer penalizações, tem de o fazer via correio registado com aviso de recepção. E boa sorte para encontrar a morada correcta para envio da carta…

Como se o anterior não fosse mau quanto baste, entrar num contrato destes é muito simples, segue mais ou menos as seguintes etapas:

  1. Um operador de call center conversa com o cliente final. Pode pintar a situação com as cores mais rosadas que imaginar. Pode inclusive, mentir, prometer coisas impossíveis. Nada disso interessa dado que esta é apenas uma conversa introdutória – não é nesta fase que se fecha o contrato;
  2. Uns dias depois, o cliente final recebe outra chamada. Para se fechar o contrato tem de comunicar o nome completo e o seu número de identificação bancária.
  3. Agora é só lucrar! Este procedimento dá acesso directo à conta do cliente final através de débito directo em conta. O contrato é legal.

Isto é errado por uma infinidade de motivos. Há pessoas mais vulneráveis que podem ser mais facilmente convencidas a entrar num contrato deste tipo sem terem um período de reflexão adequado (seguros de saúde em regiões onde não há serviço com convenção com o seguro, por exemplo). É muito mais fácil fazer o contrato do que desfazê-lo. E, finalmente, este procedimentos prestam-se a todos os tipos de fraude.

É muito fácil obter NIBs na Internet, basta procurar pelo código do banco que se quiser, por exemplo pode-se usar “NIB 0036” para obter NIBs do montepio, pode-se também procurar por IBANs que facilmente se convertem em NIBs, por exemplo procure por “PT50 IBAN“. A seguir a empresa criminosa comunica que tem quer fazer um débito directo em conta e já está a lucrar. Se a pessoa se queixa, basta à empresa, relutantemente, dizer que não se importa de anular o contrato e devolver os valores pagos.

É um crime perfeito.

Notas:

  • Não, não cai neste conto do vigário;
  • Sim, já vi várias pessoas serem enganadas deste modo;
  • Claro que haverá empresas que usam esta ferramenta de uma forma ética, não acredito que sejam muitas a fazê-lo.

Resumos de legislação

ATENÇÃO – Em Setembro de 2014 a Casa da Moeda alterou o site do DRE pelo que as notas que constam neste post já não são válidas. Mantêm-se o post para memória futura.

Descobri, hoje, que o dre.pt tem o que chamam “Resumos em linguagem clara”. São resumos de diplomas explicados em linguagem acessível. A chatice é que, parece, estes resumos apenas estão disponíveis a quem pagar pelo acesso ao Diário da República Electrónico.

Exemplo:

resumo_em_linguagem_clara

Privacidade? Segurança?

teamn00bz

Um grupo de hackers (no sentido original do termo) conseguiu, alegadamente, obter números válidos de cartões continente e, a seguir, aceder aos dados pessoais guardados pela SONAE.

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