Mais de metade do endividamento público para apoiar a banca

Os bancos vão ser sem dúvida a nossa perdição. Na ânsia irracional de tentar salvar o que está para além de qualquer possibilidade de salvamento, vamos asfixiar o país ultrapassando todos os limites. Vamos com isto matar a economia e a possibilidade de retoma nos próximos anos.

O problema é termos bancos que estão longe de ser pessoas de bem. Os negócios da esfera privada em Portugal sofrem igualmente com a corrupção generalizada. Os próprios bancos têm critérios de amiguismo e por vezes de algo mais para concederem os créditos. E, finalmente, muitos dos activos inscritos nos livros dos bancos estão avaliados de forma surreal.

O mecanismo que vai governar a nossa perdição é bem simples. Os bancos alavancam o seu capital, como contrapartida disso inscrevem nas suas contas activos sobre avaliados. Por exemplo, imaginem que querem construir um bloco de apartamentos em Lisboa, contraem um empréstimo de 100 milhões de euros e dão como garantia o terreno e os próprios apartamentos. O banco inscreve nas suas contas os 100 milhões dado que estão garantidos. Mas na prática os apartamentos não se vendem, até porque o próprio banco não empresta dinheiro (dado que já não tem crédito ele mesmo) e por isso o empréstimo não é pago. Logo o valor real dos apartamento é zero. Para não assumir estas perdas o banco vai protelar o máximo possível o assumir do problema. Mas, em todo o caso, vai ter de pagar os seus próprios empréstimos. Neste ponto entram os contribuintes, entram os orçamentos rectificativos…

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Mil Milhões para os Bancos

Os bancos já têm garantidos mil milhões até ao fim do mês. Se os políticos que temos estivessem interessados em ter uma campanha eleitoral para informar os cidadãos, então este seria seguramente um dos pontos em discussão – dadas as circunstâncias, talvez o único ponto em discussão. Em vez disso perderam-se em agitar bandeirinhas, pequenos insultos, chicanas políticas e outros jogos de crianças, tratando o cidadão eleitor como débil mental. O PS/D + PP tentou a todo o custo iludir esta questão. Afinal que interessa para umas eleições a política económica e social dos próximos anos? – Para os políticos, absolutamente nada.

Assim, porquê tanta pressa em disponibilizar o dinheiro aos bancos? – que ainda há pouco diziam estar perfeitamente capitalizados. – O motivo é simples, os bancos portugueses estão falidos, e não sou eu quem o diz, é o próprio governo. Se lerem o Memorando de Políticas Económicas e Financeiras, ontem divulgado pelo FMI, mas que já era do conhecimento público há muito tempo, poderão ler:

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Leilão de Quarta

Cassandra

Na próxima quarta-feira vamos pedinchar mais 1250 milhões de euros, se tivermos sorte.

Vai ser necessária sorte porque o juro que nos está a ser imposto já é quase insustentável, se aumentar muito não conseguiremos comprar todo o dinheiro que queremos.

Se não obtemos o dinheiro que queremos, ficamos impossibilitados de fazer mais estradas, aeroportos ou TGVs, as remodelações de interiores nos gabinetes ministeriais ficam limitadas às requisições de obras de arte aos museus nacionais, os motoristas deixam de puder estar “on-call” vinte e quatro horas por dia (quem irá levar os putos à escola!?), vai ficar complicado encomendar cinquenta estudos a empresas de amigos por cada decisão a tomar, os militares ficam sem brinquedos novos, a PSP deixa de puder comprar blindados para cenários de guerrilha, e por aí adiante até à náusea (para reforçar a ideia, não deixem de ler isto).

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Quem vai a Irlanda salvar?

A Irlanda finalmente cedeu e vai hoje pedir ajuda ao FMI (como me parece que em breve vai acontecer a Portugal). Poderemos dizer que o boom económico da Irlanda se fez à custa de crédito fácil e era por isso insustentável, o que é verdade. O problema é quando se fala nisso, raramente se explica que os responsáveis disso são fundamentalmente os Bancos que se alavancaram de uma forma obscena e em muitos casos criminosa, encontrando-se por isso neste momento numa situação insustentável.

Os leitores mais atentos certamente estarão a interrogar-se sobre o que o estado irlandês tem exactamente a ver com a folia dos Bancos, especialmente num país onde o estado não tem intervenção directa nos mercados financeiros. Aqui encontramos a parte verdadeiramente dramática de toda esta história que vamos recordar a seguir.

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