Aqui está uma Unidade com o futuro tremido há bastante tempo. Porque será?
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Mais de metade do endividamento público para apoiar a banca
Os bancos vão ser sem dúvida a nossa perdição. Na ânsia irracional de tentar salvar o que está para além de qualquer possibilidade de salvamento, vamos asfixiar o país ultrapassando todos os limites. Vamos com isto matar a economia e a possibilidade de retoma nos próximos anos.
O problema é termos bancos que estão longe de ser pessoas de bem. Os negócios da esfera privada em Portugal sofrem igualmente com a corrupção generalizada. Os próprios bancos têm critérios de amiguismo e por vezes de algo mais para concederem os créditos. E, finalmente, muitos dos activos inscritos nos livros dos bancos estão avaliados de forma surreal.
O mecanismo que vai governar a nossa perdição é bem simples. Os bancos alavancam o seu capital, como contrapartida disso inscrevem nas suas contas activos sobre avaliados. Por exemplo, imaginem que querem construir um bloco de apartamentos em Lisboa, contraem um empréstimo de 100 milhões de euros e dão como garantia o terreno e os próprios apartamentos. O banco inscreve nas suas contas os 100 milhões dado que estão garantidos. Mas na prática os apartamentos não se vendem, até porque o próprio banco não empresta dinheiro (dado que já não tem crédito ele mesmo) e por isso o empréstimo não é pago. Logo o valor real dos apartamento é zero. Para não assumir estas perdas o banco vai protelar o máximo possível o assumir do problema. Mas, em todo o caso, vai ter de pagar os seus próprios empréstimos. Neste ponto entram os contribuintes, entram os orçamentos rectificativos…
Não entendo a vossa admiração
A propósito deste post.
A verdade é que o PS/D desde à 30 anos que temos a despesa a subir. Não interessa qual é a cor do governo, não interessa a situação económica do país, a despesa sempre a subir e, como vocês repararam, as justificações de ambos os lados são exactamente as mesmas (afinal de contas, as políticas tb não são assim tão diferentes).
Leilão de Quarta

Cassandra
Na próxima quarta-feira vamos pedinchar mais 1250 milhões de euros, se tivermos sorte.
Vai ser necessária sorte porque o juro que nos está a ser imposto já é quase insustentável, se aumentar muito não conseguiremos comprar todo o dinheiro que queremos.
Se não obtemos o dinheiro que queremos, ficamos impossibilitados de fazer mais estradas, aeroportos ou TGVs, as remodelações de interiores nos gabinetes ministeriais ficam limitadas às requisições de obras de arte aos museus nacionais, os motoristas deixam de puder estar “on-call” vinte e quatro horas por dia (quem irá levar os putos à escola!?), vai ficar complicado encomendar cinquenta estudos a empresas de amigos por cada decisão a tomar, os militares ficam sem brinquedos novos, a PSP deixa de puder comprar blindados para cenários de guerrilha, e por aí adiante até à náusea (para reforçar a ideia, não deixem de ler isto).
Quem vai a Irlanda salvar?
A Irlanda finalmente cedeu e vai hoje pedir ajuda ao FMI (como me parece que em breve vai acontecer a Portugal). Poderemos dizer que o boom económico da Irlanda se fez à custa de crédito fácil e era por isso insustentável, o que é verdade. O problema é quando se fala nisso, raramente se explica que os responsáveis disso são fundamentalmente os Bancos que se alavancaram de uma forma obscena e em muitos casos criminosa, encontrando-se por isso neste momento numa situação insustentável.
Os leitores mais atentos certamente estarão a interrogar-se sobre o que o estado irlandês tem exactamente a ver com a folia dos Bancos, especialmente num país onde o estado não tem intervenção directa nos mercados financeiros. Aqui encontramos a parte verdadeiramente dramática de toda esta história que vamos recordar a seguir.
Os Mercados
Nos dias que correm toda a gente fala numa coisa a que chamam “mercados”. Ninguém se dá ao trabalho de clarificar o que vem a ser isso dos mercados e parece-me que a maior parte dos “comentaristas” que falam nos nossos media não fazem a mais pequena ideia do que estão a dizer.
Há inclusive teorias de conspiração a circular que apresentam ideias mirabolantes para tentar explicar a situação em que estamos, sem apresentarem o mínimo resquício de prova do que estão a dizer. Por exemplo acabei de ouvir na televisão (SIC Notícias), numa tentativa muito débil de explicação, os seguintes argumentos:
- Estamos a ser vítimas de um ataque concertado pelos “mercados internacionais” (outro que defende este ponto de vista: Alegre critica silêncio de Cavaco sobre agitação dos mercados);
- Há outros problemas com indicadores tão maus como os de Portugal que não estão a ser tão castigados como nós;
- Há algo que não bate certo quando o BCE empresta a 1% aos bancos e estes por sua vez emprestam a 7% a Portugal (este último argumento nem se qualifica como tal). – (Ideia também repetida aqui: Louçã culpa bancos nacionais pela subida dos juros da dívida portuguesa)
A crise eterna
Andamos muito entretidos em Portugal com a aprovação do orçamento, com as medidas que o governo anuncia, com as medidas que o PSD sugere e especulamos se o FMI vem ai até ao fim do ano ou se aguentamos até ao fim do primeiro trimestre. Tudo coisas muito excitantes.
Depois do primeiro impacto de todas estas questões, começamos a tentar perceber as causas. Atiramos as culpas para o bloco central – e quando o fazemos não erramos na identificação dos responsáveis – depois culpamos os banqueiros – e é verdade que estes com a sua cega ganância não têm feito grande obra pelas pessoas que vivem no rectângulo. Toda a nossa indignação é perfeitamente justificada.
Atingimos um ponto onde é gravíssima (e insustentável) a nossa dívida externa pública de cerca de 77% do PIB (est. 2009), ou a ainda mais grave a dívida privada a parceiros não nacionais de 146% do PIB (a 30 Junho 2009), esta situação não é nova para Portugal e muito menos qualquer coisa de imprevisível.