A crise eterna

Andamos muito entretidos em Portugal com a aprovação do orçamento, com as medidas que o governo anuncia, com as medidas que o PSD sugere e especulamos se o FMI vem ai até ao fim do ano ou se aguentamos até ao fim do primeiro trimestre. Tudo coisas muito excitantes.

Depois do primeiro impacto de todas estas questões, começamos a tentar perceber as causas. Atiramos as culpas para o bloco central – e quando o fazemos não erramos na identificação dos responsáveis – depois culpamos os banqueiros – e é verdade que estes com a sua cega ganância não têm feito grande obra pelas pessoas que vivem no rectângulo. Toda a nossa indignação é perfeitamente justificada.

Atingimos um ponto onde é gravíssima (e insustentável) a nossa dívida externa pública de cerca de 77% do PIB (est. 2009), ou a ainda mais grave a dívida privada a parceiros não nacionais de 146% do PIB (a 30 Junho 2009), esta situação não é nova para Portugal e muito menos qualquer coisa de imprevisível.

Facilmente se vê que a nossa balança comercial há muitos anos que não pressagia nada de bom:

Balança comercial

O défice público tem-se mantido uma desgraça ao longo dos anos:


Défice Público

A dívida do estado tem um crescimento praticamente linear:


Dívida do Estado

Reparem também como a variação das tendências são fundamentalmente independentes do partido que está no poder…

Assim, tirando os gastos criminosos efectuados em 2009 para salvar bancos vítimas de fraudes (BPN e BPP) estes indicadores estão tão maus hoje como estavam à 10 ou 20 anos. Se formos consultar outros indicadores chegamos à conclusão que a situação já é má há décadas (e isso é fácil de fazer no pordata.pt).

Parece pois que estamos numa crise eterna, não apenas de agora. Certamente a culpa não é do bicho papão, ou dos “mercados”, ou dos especuladores.

Edição: Editei este post em 2010.11.10, corrigi o link para o pordata.pt.

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2 thoughts on “A crise eterna

  1. Olá Hélder, um começo em grande.

    Com efeito, o mundo não mudou em quinze dias. O curioso é que, aparentemente, quando chega a altura de eleições as pessoas gostam que lhes cantem a canção do bandido.

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