Campanha de difamação dos transportes?

A estratégia para as empresas de transportes públicos parece ser mandar uma quantidade de poeira incrível para o ar para, na confusão gerada, o governo conseguir fazer passar as suas “políticas” com tranquilidade (coloco políticas entres aspas porque cada vez mais, as medidas deste governo, se parecem com dogmas, muitas vezes surreais).

Uma dessas ideias foi comunicada pelo ministro Álvaro numa audição parlamentar de triste lembrança, nas chamadas linhas orientadoras do PET, no oitavo slide, pode-se ler:

 

Metro de Lisboa. Encargos com juros. 101M. Passivo 1.372M. Oferta superior à procura em 400%

 

A desinformação é tanta que, confesso, na altura nem sequer liguei a esta questão da “oferta superior à procura em 400%“. Esta é uma das características da propaganda dos nossos governos: é insidiosa, vai fazendo chegar até nós informação desenquadrada, não completamente falsa. É com esta informação fragmentada que depois, nós tomamos decisões, isto não é uma atitude de boa fé, de pessoas de bem.

Neste caso descobri a verdade, mais completa e enquadrada, no excelente artigo: A novela do PET em 16 de Outubro de 2011, o dia seguinte ao dia dos indignados do blog fcsseratostenes.

 


 

Em poucas palavras, o serviço do metro é dimensionado para as horas de ponta. A taxa de ocupação pode ser calculada de várias formas, por exemplo número de passageiros total a multiplicar pelos quilómetros percorridos por estes, a dividir pelo número de lugares disponíveis multiplicados pelos quilómetros percorridos totais. Não é difícil chegar à conclusão de que a taxa de ocupação tem de ser sempre baixa, quanto mais não seja por uma questão da própria definição desta taxa de ocupação. Isto comprova-se fazendo a comparação com as taxas de ocupação registadas noutros metropolitanos no mundo, por exemplo Bruxelas com 22,6% ou em Paris com 27,6%, ou seja é o mesmo que dizer que Bruxelas e Paris têm uma oferta superior à procura em 343% e 262%, respectivamente.

Mas a atitude torpe não se fica por aqui. Para calcular o número de passageiros em pé, utilizou-se seis passageiros por metro quadrado quando se deveria utilizar quatro por metro quadrado. Assim, como o número de lugares não ocupados aumenta, a taxa de ocupação diminui na mesma proporção. É a diferença entre ter uma oferta “superior” à procura de 400% para 300%…

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