Esta história dava um filme

Destino de grande parte dos submarinos alemães feitos até hoje. U-134 sob ataque da RAF em 8 de Julho de 1943.

Destino de grande parte dos submarinos alemães feitos até hoje. U-134 sob ataque da RAF em 8 de Julho de 1943.

Não tenho pretensões a compreender nada do que se segue. Mesmo nada.


 

O que pensam do seguinte?

O julgamento sobre o caso de burla nas contrapartidas da compra dos submarinos alemães teve inicio no passado dia 19 de Novembro. Dias depois, no dia 27 de Novembro, o jornal Público noticiava, com destaque de primeira página, que o Governo tinha chegado a acordo com a Ferrostaal – representante do consórcio alemão (German Submarine Consortium) quanto à questão das contrapartidas.

Convenientemente, a defesa dos arguidos alemães no caso das contrapartidas, declara que vai requerer ao tribunal que considere o julgamento sem efeito, uma vez que o Governo actual chegou a acordo com a Ferrostall (???).

O interessante é que temos notícias destas negociações desde Outubro. Sabíamos inclusivamente que o Governo tinha chegado a acordo com a Ferrostaal no dia 1 de Outubro (uma Segunda-Feira). Não sabíamos, no entanto, qual o conteúdo desse acordo.

Para juntar um pouco de mistério e emoção a toda esta história, ficamos a saber no dia 3, que uma cópia do contrato do Governo com a Ferrostaal, assim como um memorando de entendimento desta empresa com o Laboratório de Tecnologias de Informação, foram roubados, cirurgicamente, de dentro do carro de Christoph Mollenbeck, representante da Ferrostaal.

Mas não nos ficamos por aqui. Klaus Lesker, um dos representantes da Ferrostaal nas negociações com o Governo, foi preso em 2010, pela polícia alemã, justamente por implicação neste caso dos submarinos para Portugal. Isso não o impediu de ter sido ele a negociar com o Governo português as novas contrapartidas em Outubro de 2012.

Lembro que na Alemanha houve condenações neste caso.

Submarinos: Ferrostaal terá de pagar 240 milhões para arquivo do processo de corrupção Cache

  • Data: 2010-04-22 00:00
  • Fonte: I-Online
  • Autor: Agência Lusa
A Ferrostaal terá de pagar uma coima de 240 milhões de euros para que seja arquivado o processo de alegada corrupção que inclui também a venda de submarinos a Portugal, noticiou hoje a revista alemã Manager Magazin. Além disso, o actual presidente executivo da Ferrostaal, Matthias Mitschlerlich, terá de demitir-se e assumir responsabilidades perante a lei, acrescenta a mesma publicação, citando fontes do Ministério Público de Munique .

 

Temos inclusivamente a admissão de culpa dos próprios executivos:

Ex-executivos da Ferrostaal admitem terem pago subornos Cache

  • Data: 2011-12-15 16:25
  • Fonte: DN
  • Autor: Lusa
O dois ex-executivos da Ferrostaal e a própria empresa julgados por suborno de funcionário públicos estrangeiros na venda de submarinos a Portugal e à Grécia aceitaram a proposta de conciliação do tribunal, foi hoje anunciado. Ao fazê-lo, admitiram pagar subornos à Grécia e a Portugal, neste caso na pessoa do ex-cônsul honorário em Munique, Jürgen Adolff.

 

Ou seja, não se trata de uma hipótese, houve mesmo corrupção.

O manancial de histórias não se fica por aqui.

Quanto às contrapartidas em concreto, noticiou-se que o Governo, sem dúvida para simplificar o processo (ahahah!), aceitou como contrapartida um investimento de 150 milhões na remodelação do Hotel Alfamar no Algarve. Até aqui tudo bem.

Acontece que este investimento de 150 milhões é contabilizado no acordo em 600 milhões de euros. Porquê? – Muito simples. A tese é que o investimento irá gerar mais 450 milhões de euros para a economia. É claro que o Governo, não percebendo nada de hotelaria, não pode avaliar este retorno de uma forma determinística – o Governo tem apenas os dados fornecidos pela Ferrostaal e pelo própio hotel… Receio bem que os cálculos tenham sido feitos com o mesmo rigor com que os cálculos do défice foram feitos o ano passado, ou como foram calculados os riscos das PPP.

Para compor a coisa é do conhecimento público que o Alfamar foi construído por um alemão e que continua com fortes ligações à comunidade alemã… Corre até o rumor que o hotel será propriedade, no todo ou em parte, de sócios do consórcio alemão. Neste caso a contrapartida seria um investimento neles mesmo. Como o projecto é um PIN, é bem possível que esta contrapartida ainda custe dinheiro ao Governo…

Por hoje fico-me por aqui.

Não pensem que as perplexidades deste caso se restringem ao anterior. Esta história dava mais do que um filme, dava uma série de filmes! Mete intriga internacional, envolve negociações de descontos que acabam em pagamentos adicionais, há bancos metidos nisto (adivinhem quais!), o próprio concurso esteve sob suspeita, a missão dos submarinos é qualquer coisa interessante de se analisar, etc, etc, etc…

Felizmente, tenho a certeza, em Portugal não é um país corrupto, por isso podemos, todos, estar tranquilos.

Nota: No tretas.org, temos um dossier onde fazemos o acompanhamento deste caso, desde o nascimento da ideia em 1998, até ao presente.

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3 thoughts on “Esta história dava um filme

  1. E é isto, quem passa fome é que paga. E merece, que ainda acredita nestes filhos da puta e acha que estes filhos da puta são diferentes dos filhos da puta que vieram antes.

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