Planos de Salvamento

É pena as verdades serem ditas apenas em programas humorísticos/satíricos.


E mesmo assim, não são verdades completas. A exposição dos bancos às dívidas soberanas não é o pior pecado, longe disso.

Por exemplo os bancos portugueses detém 90 mil milhões em imobiliário, que se fosse avaliado ao preço real de mercado, como devia ser, implicaria a falência imediata de todos os bancos portugueses.

O problema a nível mundial é o facto de muitos dos activos dos bancos serem sintéticos, ou seja artificiais, inexistentes. Estou a falar de securities como os CDOs onde o cálculo do risco foi cozinhado de modo a ter uma notação excelente, recorrendo a técnicas que em muito pouco se distinguem de fraude pura e simples (por exemplo com CDS). Estou a falar das bolhas de crédito que aparecem um pouco por todo o lado, crédito esse que não vai ser pago nunca (dívidas de crédito ao consumo, dívidas de estudantes, etc).

Os bancos estão falidos assim como o sistema financeiro de uma forma geral. A Clara Ferreira Alves está, finalmente, a ver a realidade, estamos a fazer todo este esforço para salvar um sistema financeiro que não tem salvação possível. Não há dinheiro no mundo suficiente para o fazer.

Lembrem-se, metade da divida que estamos a contrair junto da troika é para tentar salvar os bancos.

Julgam que isto vai acabar bem?

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4 thoughts on “Planos de Salvamento

  1. Pingback: Educação para todos? | Aventar

    • Infelizmente parece que sim.

      O que me chateia mesmo é que toda esta questão é evidente desde há três anos. Em que mundo é que esta gente vive para poder acreditar nos disparates que foram dizendo e nas acções que foram tomando ao longo deste tempo? Não será negligência criminosa? Estas atitudes não merecem mais do que punição politica?

      Infelizmente esta recusa em assumir a realidade, infecta não só os governantes e os reguladores, infecta também os empresários, os administradores de empresas, os decisores deste país. Empresas com activos ilíquidos avaliados como se fossem ouro (que os bancos aceitam como garantia!), estruturas de capital bizantinas, má engenharia financeira, etc… (Basta ler um jornal de negócios com um pouco mais de atenção.)

      Enfim.

      Um abraço!

  2. Pingback: Candura desarmante | Aventar

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