Israel é um estado viável?


Para evitar a maior parte das discussões que acontecem quando se fala de Israel, deixem-me, desde já, declarar que não sou nem a favor, nem contra a existência do estado de Israel.

Tendo em conta o anterior, quando olho para Israel e para as políticas que este estado tem adoptado desde sempre, sou forçado a pensar que esta história não vai acabar bem.

Israel é um estado que consegue alienar todos os países à sua volta, insistindo na existência de um estado judeu, de 7 milhões de habitantes, no meio de 300 milhões de pessoas que, pelos mais variados motivos, não simpatizam com esse estado. Qualquer pessoa razoável concordará que muitos dos motivos que justificam esta animosidade são perfeitamente válidos.

Arquipélago da Palestina

Depois, temos muitos países Árabes, que toleravam Israel até há bem pouco tempo, a mudarem as suas políticas, na precisa altura em que se conseguem desembaraçar dos seus ditadores – muitos destes grandes amigos do ocidente e tolerantes para com Israel (leia-se subornados pelos Estados Unidos e afins).

Até a maior democracia da região, a Turquia, adoptou um curso de afastamento de Israel. Talvez por se ter apercebido que a sua entrada na União Europeia nunca acontecerá…

Assim Israel está cada vez mais isolado. O único apoio verdadeiramente estável ao longo dos anos tem sido o dos EUA, que se preparam para o demonstrar mais uma vez ao vetar a tentativa dos palestinianos de se tornarem estado reconhecido nas Nações Unidas. No mundo actual, o apoio dos EUA conta cada vez menos e num futuro a médio prazo é normal que a hegemonia dos Estados Unidos sobre o mundo venha a diluir-se fruto de novos equilíbrios com a China, Brasil, Russia, Índia e até com a Europa.

Quando o apoio dos Estados Unidos desaparecer, Israel vai-se ver em muitos maus lençóis.

Mesmo assim, creio que Israel é um estado viável. Para o ser, a meu ver, tem duas hipóteses:

  • Temos a solução dos dois estados, Israel e Palestina. Para esta solução avançar, Israel só tem de abandonar o arquipélago da Cisjordânia e cessar as suas intervenções em Gaza. Com esta opção, o país, poderá continuar a viver de costas voltadas para o mundo que o rodeia no imediato. Não creio que seja grande solução, se bem que parece ser a mais popular.
  • A outra solução é Israel absorver a Palestina, formar um único estado. É claro que para isso acontecer, tem de abandonar todas as políticas de apartheid cujo governo tem adoptado nas últimas décadas. Neste caso, o carácter judaico do estado de Israel vai-se perder – se bem que continuam a ser todos semitas (enfim)… Há feridas a sarar, mas creio que seria possível com o tempo todos viverem em paz.

Resta ainda uma solução que me recuso a contemplar. Trata-se de uma guerra generalizada pela sobrevivência de Israel. Nesse caso julgo que Israel desaparecerá das páginas do tempo, mais tarde ou mais cedo. A demografia terá alguma coisa a dizer.

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13 thoughts on “Israel é um estado viável?

  1. Eis a solução para o Estado-Apartheid de Israel

    B.oycott
    D.ivest
    S.anction

    O mundo a tremer na beira do descalabro económico e adivinhem lá onde andam Obama, Cameron e demais apologistas e financiadores do estado mais racista do planeta??

    – Obviamente, os nossos queridos e sempre muito ocupados políticos de topo internacional, encontravam-se na ONU a fazer discursos contra a statehood bid dos Palestinos…Inacreditável mas verdadeiro

    O Obama, coitado, parecia mesmo contrariado enquanto papagueava as palavras para ele escolhidas, não pelos Judeus que, “controlam o mundo” segundo alguns iluminados, mas sim por um partido Democrático que em nada se distingue dos Republicanos e por conseguinte com ainda mais receio de perder o voto dos muitos Judeus que habitam nos EUA.

    Aos eventuais Sionistas com ânsia de regurgitar argumentos sobre a “segurança dos que vivem em Israel”, quero deixar bem claro que o agressor e ocupante não tem direitos nos territórios invadidos, aliás, no direito internacional é proibido realojar a população do país invasor para o país invadido. Algo que, por muito irónico que possa parecer, nem os Nazis fizeram!

      • Thumbs down não é argumento mas sim preguiça ou ignorância.

        Pessoalmente até é para o lado que durmo melhor, mas gostava que tivessem a coragem de discutir o assunto em vez de se esconderem de uma maneira cobarde, que ao ser deixada no actual estado só pode ser reveladora de conhecimentos básicos e falta orgulho e confiança naquilo que pretendem ter como as vossas opiniões mas onde falta coragem para as examinar em dialogo aberto.

        Ou serão Sionistas envergonhados? O nome “sockpuppets” diz-vos alguma coisa??? Aposto que sim…waffle, waffle, talk, talk, chit chat chit chat, waffle, waffle, talk, talk, chit chat chit chat mas nunca sobre o que realmente interessa e/ou apenas para espalhar desinformação.

        Para aqueles que não sabem o que são “sockpuppets”, aqui fica a explicação. http://precariat.tumblr.com/search/sockpuppets

  2. Posso estar enganado, masnão me parece que os árabes deixem que os israelitas fiquem na palestina.
    Aconteceu o mesmo com os mouros da Andaluzia, com os portugueses em Angola, com os paquistanesese quando se separaram da India, com os sérvios da Bósnia, com os bosnios da Servia, com os alemães de Danzig ( hoje Gdansk), e muitos outros casos.
    Resta saber qual será o pais que irá aceitar os judeus como refugiados!

  3. Na minha opinião, este conflito só terá um fim quando secarem as reservas de petróleo do Médio Oriente.
    Nessa altura, apenas irá depender dos israelitas e dos palestinianos!
    Não é preciso dizer porquê, pois não?

  4. J Farinha

    Há quem diga que já não falta muito para que tal aconteça. No entanto as maiores reservas de petróleo no Médio Oriente (ou o que ainda resta) estão directa ou indirectamente nas mãos dos EUA, seja através dos sauditas, seja através de conflitos como a guerra do Iraque. Eu diria que o caso palestiniano vai um pouco mais além que as reservas de petróleo. Para que se compreenda a complexidade deste problema, é para tal necessário estar consciente dos objectivos determinados pelos Sionistas desde mais de um século atrás. Agora podem gabar-se de ter ainda mais ajuda dos EUA, já que o movimento evangélico (os tais Cristãos-Sionistas) tomaram posse de uma enorme quantidade de poder dentro do GOP (Partido Republicano) com toda esta fantochada do Tea Party e outros grupos de jingoists. Este poder, aliado ao AIPAC (o todo poderoso lobby israelita nos EUA) torna-se num adversário formidável, sendo portanto essencial para quem pretenda ocupar a Casa Branca ter-los no bolso. Apesar de muitos dos Judeus que habitam nos EUA votarem tradicionalmente no Democratic Party, desde o aparecimento dos neoconservadores e agora do Tea Party, nota-se ter havido uma aliança entre os “crazies” da far right norte americana e parte da comunidade judaica, embora por vezes pareça ser pouco confortável para ambas as partes. Portanto, o apoio dos EUA não depende só em haver ou não haver petróleo no Médio Oriente, embora o petróleo seja um factor preponderante, sem duvida.

    Pedro Castro

    Os Árabes não são um grupo homogéneo, com os mesmos interesses e as mesmas opiniões, portanto e pelas razoes que já enumerei acima, não serão apenas os Árabes a decidir se os Judeus ficam na Palestina ou não. Na realidade e por muito triste que pareça, eu diria que os Árabes até são quem menos possui capacidade, tanto militar como política, para decidir quem fica e quem vai. Infelizmente é este o mundo em que vivemos.

    • Então??? Onde é que eles andam? Onde é que andam os bravos Sionistas, defensores do estado-apartheid sem constituição e sem fronteiras? Querem ver que estão todos na ONU?? Talvez tenham sido convidados pela Amizade Luso-Israelita, esse grupo de tachistas e oportunista tao ao nosso gosto. Nao se inibam, caros Sionistas, depois do thumbs down, digam de sua justiça. Escrevam e expressem-se com a mesma vontade com que matam inocentes Palestinianos!

      Afinal de contas neste nosso querido país até há uma constituição que protege a liberdade de expressão, algo que não acontece na “única democracia do Médio Oriente”,a tal “democracia” que por sinal ignora os justos vencedores das eleições em Gaza, visto não ter conseguido manobrar o resultado final. Parece que havia demasiados observadores internacionais…Já viram que chatice!?!

      Na verdade, eu até compreendo o vosso dilema. Agora que os papás americanos estão quase falidos, já não é tão popular andar sempre a defender Israel.

      Pessoalmente aconselhava todos os que lá vivem a ter aulas de natação, Já que no dia em que os Turcos vierem por aí abaixo, nem com as bombas nucleares conseguidas as escondidas dos norte americanos (mas com a ajuda desse outro antigo estado-apartheid chamado África do Sul) se vão safar. Sei que de momento, em teoria ainda são aliados, mas fiquem sobressaltados, porque não vai durar para sempre.

      Antes de irem para a Palestina não pensaram em ir para Madagáscar? Então é sempre a descer, vão ver que rapidamente lá chegam, cuidado é com os tubarões…

  5. Sempre resulta muito engraçada ler os comentários depois dos acontecimentos…O José Castro precisa ler un poquinho mais a própia historia portuguesa, vamos dizer, S. XII-XVI, ficam bem mal parados, n’é?

    shalom d’Israel, cà nos estamos, cà nos ficamos!

    • cà nos estamos, cà nos ficamos!

      Espero bem que fiquem.

      A pergunta que faço neste post é exactamente em que moldes vão ficar. Qual é o sentimento do Israelita comum?

      Receio bem que a história recente do território (últimos 70 anos) faça com que o estado de Israel seja impossível de manter sem apoio externo ou sem medidas demasiado drásticas (sendo estas últimas de resultado muito incerto).

      • Pessoalmente não quero que aconteça nada aos Judeus, o mesmo já não digo dos Sionistas, esses sim que precisam de ser expostos perante a comunidade internacional. Para os mais desatentos, sublinho que há muitos Judeus que não concordam com os moldes do actual estado de Israel, especificamente os vários Bantustãos em que os Sionistas pretendem enclausurar os Palestinianos.

        Essa do “cà nos estamos, cà nos ficamos!” devia incluir, “enquanto os Sionistas que vivem nos EUA continuarem a pagar pelas nossas armas” É que eu duvido muito que consigam pagar por aquilo tudo (parece que meio milhão pessoas dentro de Israel concorda comigo) a vender azeitonas, metralhadoras Uzi ou com o turismo de Cristaos Sionistas (os tais que pretendem ver-se livre dos Judeus mal chegue o dia do Juizo Final)…Será que fabricam mais alguma coisa em Israel??? Digam o quê, mais precisamente, para pudermos passar a boicotar.

        O meu conselho? Aulas de natação!!

    • @ “Betty Atten: Shalom, shalom mas nem coragem tens para te identificares! Em vez de mandares os outros estudar historia, era capaz de ser melhor ires estudar civismo. Enfim, as cobardias do costume!

  6. @ “Betty Atten” Muito obrigado pelo esforço de tentares falar Português.
    Mas para que não haja mal entendidos, deixo-te aqui um texto em Inglês

    http://liberalconspiracy.org/2011/09/21/shock-as-tony-blairs-offer-to-palestinians-is-soundly-rejected/

    @.Helder Guerreiro
    Podes explicar o que entendes por “medidas demasiado drásticas”…Espero estar enganado, mas soa-me a conversa, tipo New Atheist. Sabes quem são, não sabes? Sam Harris, Christopher Hitchens etc. Embora eu não concorde com o termo New Atheist, visto que a religião deles é a do Estado.

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