Porque não criar um novo banco?

Os nossos bancos desde o inicio que recusam aceder ao dinheiro da ajuda externa. O motivo é simples, os senhores da banca não admitem que o estado interfira nos seus negócios e isto até é compreensível, o mestre não pede conselhos ao aprendiz. Neste momento os bancos estão a fazer render o peixe de modo a obterem o dinheiro da forma mais vantajosa possível, mantendo os políticos à distância.

Entretanto temos a economia parada à mingua de crédito:

Extraído do Boletim do Banco de Portugal, pag 44 - Outono de 2011 (clique para aumentar)


Ontem, em entrevista na SIC Notícias, Francisco Louçã a certa altura sugeria que se utilizassem os 12000ME, destinados a capitalizar os bancos, para criar mecanismos de financiamento às industrias exportadoras, criadoras de verdadeira riqueza. Não posso deixar de concordar com esta ideia, já a defendi antes. É irónico que tenha de ser uma pessoa de esquerda a defender aquilo que seria uma solução de mercado, ie, deixar os bancos gerirem as suas próprias dificuldades, sem ingerências externas. O estado por seu lado faria a sua obrigação: criar as melhores condições possíveis para que a economia floresça.

Em vez disso dedicamos metade da ajuda à banca:

Público em árvore morta de 2 de Agosto (clique para aumentar)

Infelizmente, a Troika, a quem o governo está subordinado, é clara sobre a forma como quer resolver a crise. Não esqueça, está a perder qualidade de vida para conseguirmos pagar a seguinte factura:

Secção Descrição Valor
2.1 Garantia do estado aos Bancos 35000ME
2.4 Veiculo de suporte à solvência bancária 12000ME
2.12 BPN 5000ME
Total 52000ME

(Valores retirados do Memorando da Troika, excepto o do BPN.)

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9 thoughts on “Porque não criar um novo banco?

  1. Muito bom artigo. A maioria da malta que aí anda julga que esta é uma crise da dívida pública e não tem nada a ver com o sistema de financiamento dos Estados através de uma banca privada falida e usuária em vez de um BCE forte e uma orientação comum da política financeira.

    Um vídeo engraçado a falar de como esta é uma crise bancária, habilmente manipulada para serem os Estados e os seus contribuintes a pagarem uma capitalização que procura evitar o desastre. É engraçado ver hoje mesmo bancos europeus a serem sucessivamente derrubados e as pessoas ainda a pensarem que isto é por causa dos RSI e do SNS.

    • Obrigado!

      O vídeo é muito interessante, especialmente os capítulos finais.

      Edição: dá que pensar, o facto do montante da dívida soberana ser tão parecido ao que foi entretanto pago em juros… Pena o vídeo ter tantos quadros, se não, legendava-o.

    • Porque não dá para experimentar sem haver condições para isso.

      Em termos simples os bancos fizeram demasiados empréstimos em relação ao dinheiro que têm em caixa (ou seja estão demasiadamente alavancados). Depois os bancos têm relações financeiras entre si. Se um deles vai à falência, há logo outro que não pode cumprir as suas obrigações por ter deixado de receber do primeiro e assim por diante. É o que chamam o efeito dominó.

      Ou seja, para deixarmos os bancos falirem, é necessário alguma coisa que garanta o fluir do crédito para quem dele necessita (de preferência para produzir coisas). É isso que os políticos podiam fazer e não fazem.

  2. Se um deles vai à falência, há logo outro que não pode cumprir as suas obrigações por ter deixado de receber do primeiro e assim por diante.

    Olhe que não. O BPN está tecnicamente falido – e o BPP está de facto – mas nenhum dos outros bancos caiu por causa disso. A “salvação” do BPN destinou-se apenas a evitar a “corrida aos levantamentos” que, essa sim, deitaria abaixo todo o sistema bancário.

    • É claro que há sempre vários factores a ter em conta. O problema dos levantamentos tem uma solução simples, basta proibi-los.

      Não creio que o BPN esteja com o capital negativo, penso que a CGD tem feito reforços de capital exactamente para evitar isso (e para manter os rácios de solvabilidade) – quanto ao BPP não me lembro como foi, para ser sincero.

      Mas em todo o caso, isso é irrelevante. Os bancos só não estão todos falidos porque a avaliação dos activos está feita no reino da fantasia. Só isso.

  3. Pingback: Pequenas Correcções (II) – Aventar

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