Afinal era um fardo para os contribuintes

Serão os accionistas dos bancos e os credores a pagar por futuras crises bancárias, e não os contribuintes como tem acontecido

Desta notícia do Público.

No mundo bizarro do sistema bancário isto é uma novidade. Os responsáveis europeus, depois de anos a salvar bancos falidos, muitas vezes vítimas de crimes cometidos pelos seus próprios administradores, chegaram à conclusão que os cidadãos têm, de alguma forma, ser protegidos. Óptimo!


 

Segundo o novo acordo os primeiros a pagar o salvamento dos bancos serão os respectivos accionistas, seguidos dos credores dos bancos e, finalmente, os depositantes, não abrangidos pelos fundos de garantia bancária, verão os seus depósitos em perigo. Vale a pena realçar que este processo não é mais do que a aplicação do que já se passa em qualquer processo de falência, ou seja:

  • Em primeiro lugar tenta-se minimizar as perdas dos trabalhadores e clientes da empresa em dificuldades;
  • Depois, se sobrar algum dinheiro, paga-se aos credores;
  • Finalmente o dono da empresa fica como o que sobrar. Numa empresa falida, por definição o dono perde tudo (dado que a situação líquida da empresa é negativa).

Por contraste, o que se tem passado nos últimos 5 anos é exactamente o contrário. Começam por pagar os contribuintes, devido ao risco sistémico criado pela eventual falência de um banco e os banqueiros continuam com as mesmas práticas desregradas, maximizando o ganho para as administrações e para os accionistas ao mesmo tempo que nacionalizam os prejuízos.

Apenas para citar o último caso, no BANIF, o estado injectou 1100 milhões de euros, ficou com a maior parte do capital do banco, mas, por razões impossíveis de compreender, não ficou com o controlo dos destinos do banco

Vamos ver se vai de facto mudar alguma coisa.

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8 thoughts on “Afinal era um fardo para os contribuintes

  1. Realmente , o mundo corrupto da Banca é mesmo bizarro , só quem não conhece estes
    bandidos é que pode ter uma ideia diferente .
    Como tenho dito há vários anos , talvez há mais de 30 anos a Banca é o maior antro de
    corrupção , nem os cartéis da droga e das armas , se aproximam , dos bandos bancá-rios
    Está praticamente tudo contaminado , até mesmo os funcionários são igualmente corruptos como os banqueiros .

  2. Até podíamos dizer que mais vale tarde do que nunca, mas não é o caso, eles (banqueiros, grandes corporações e políticos colaboracionistas) sabiam bem o que faziam, para quem e a favor de quem, só não conseguem adiar mais sob pena de saírem os próprios a perder. E isso, para eles, é a única coisa intolerável.

  3. “chegaram à conclusão que os cidadãos têm, de alguma forma, ser protegidos.”

    Não, não chegaram a conclusão nenhuma, o resgate dos bancos falidos sempre foi uma farsa Merkel, Sócrates, Passos, Hollande, Barroso, etc. sempre souberam que o que estavam a fazer era imoral e criminoso. O resultado das politicas não-liberais, tecnocratas centralizadoras estão ai para quem quiser ver, e sim, era previsível, provavelmente desejado por aqueles que aparecem nas TVs a contarem-nos como estão a “endireitar o país”.

    A forma de salvar a Europa é livrarmo-nos do centralismo tecnocrata aberrante das elites, vão ser as pessoas comuns (mais uma vez), que vão reerguer a sociedade!

  4. O que os cretinos da ue/cee decretam é a pura centralização dos depositos/actividade bancária em bancos privilegiados politicamente dependentes da aristrocacia financeira e da central de comando das relações sociais e políticas do mundo… Para não sair do esquema os bancos, por graus de tamanho, vão ser tomados pelos sucessivamente maiores. Belo tiro !!!
    Bancos sem capa política, meio foleiros ou excluidos, vão falir e já se sabe quem vai pagar:
    mas nunca se viu clientes serem chamados a suportarem prejuízos das empresas ( e se o continente um dia falir o que acontece aos seus clientes ???)

  5. Depois da negociata do BCE não poder emprestar directamente aos Estados para dar uns milhões de comissões à banca, depois milhares de milhões “despejados” directamente nos bancos par “limpar” o “lixo tóxico”, que serviu para encher os bolsos de administradores, directores e accionistas, depois da desregulamentação que permitiu tudo (das PPP aos swapes, i. e., a contratos leoninos impostos aos que necessitavam de financiamento), as medidas anunciadas são o reconhecimento formal de que todos esses biliões não chegaram para tapar os buracos existentes.
    É o princípio do fim de muitos bancos e do próprio sistema financeiro?

    Segundo li, no início do século a massa financeira global já equivalia a 20 vezes o PIB mundial,,,!

    Comparado com tudo isto o que é a dívida portuguesa?
    Não estará na momento ideal de negociar a saída do euro em condições vantajosas que dificilmente se repetirão?

  6. Acho que sim – sair do euro era bom mesmo que nunca tenha ouvido ninguém a dizê-lo E até me bastaria dizer que nunca vivi tão mal como desde a integração europeia sobretudo desde o euro de 1 de janeiro 2000 não falando na destruição da agricultura e pescas e indústria tradicional e etc – E o amigo brasil, estilo abutre, a comprar em saldo o que não foi já parar a mãos alheias – além da dívida só de juros a não sei quem de não sei que dívida e empréstimos – que brincadeira – mas os topos de gama da minha rua adquiridos em fevereiro 2012 que nem cabiam de tantos que eram, já começaram a desaparecer velozmente, também desde fevereiro deste ano, para não falar em tudo o que desde 2008 faliu no meu bairro que é uma dor de alma – UE assim não obrigada – Para que quero eu ver o país a falir e uns eis-ministró-agora-politólogos a explicar o inexplicável ?’ É pior do que as invasões filipinas e francesas – Não falando no congelamento de salários desde 2000 (mesmo que os politólogos
    da SIC encham a boca de aumentos dos FP que não sei a quem se referem as meninas do Expresso) e claro mais os 2 subsídios e aumento de IRS – é europa para quem ?? E os professores queixam-se ?? mas são só eles que são FP e são promovidos automaticamente como sempre foram e agora berram – E eu e outros como eu ?’ Calem-se mas é com os FP e se falam dicam especificamente a que grupo de FP se referem

  7. Faltou apenas esclarecer uma questão.
    A partir deste momento os trabalhadores da banca passarão a ter o mesmo destino que qualquer outro trabalhador quando a sua empresa vai à falência: despedimento. Porque o que nunca ninguém diz, quando critica (e a meu ver bem) o facto de os Estados injectarem dinheiro nos bancos falidos à custa do contribuinte, é que não são só os accionistas e gestores desses bancos a serem beneficiados: os trabalhadores também o são (numa escala naturalmente mais pequena), nomeadamente face aos restantes trabalhadores do sector privado.

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