Os islandeses começaram a prender banqueiros?

Lárus Welding assiste à sentença

Parece que sim! (Tradução automática.) Guðmundi Hjaltasyni e Lárus Welding foram condenados a 9 meses de prisão por um negócio de 100 milhões. É certamente pouco tempo, mas é também um começo.

O crime destes senhores foi um crime contra a economia da Islândia, autorizaram empréstimos sem garantias, ignorando a opinião dos avaliadores de risco do próprio banco. Tão simples quanto isto.

Se transpusermos este caso para Portugal, teríamos de prender quase todos os banqueiros nacionais. Os banqueiros nacionais envolveram-se em práticas estéreis para a economia. Guiados pela ganância, pelo amiguismo e pelo lucro rápido e abundante.

Foi prática comum os bancos nacionais emprestarem dinheiro a certos “empresários” para comprarem acções dos próprios bancos por motivos muitas vezes interesseiros (ver o caso de Manuel Fino com a CGD, de Joe Berardo com o BCP, etc) . Os banqueiros usaram estas tácticas para obterem maiores bónus para si próprios, para obterem vantagens tácticas dentro dos próprios bancos, que facilitassem a ascensão ao poder de certos grupos ou interesses, ou então, nas lutas entre bancos. Outra prática comum foi a forma como os pequenos investidores foram pressionados a investir nos próprios bancos, mais uma vez por motivos interesseiros, muitas vezes por gestores de conta apenas interessados em cumprirem objectivos irrealistas.


 

Não nos ficamos por aqui. Os banqueiros colaboraram com o boom imobiliário. Paulo Morais não se cansa de dizer:

Alguns promotores imobiliários habituaram-se a comprar terrenos agrícolas por tuta-e-meia e transformarem-nos em urbanizáveis, através de despachos obtidos nas câmaras municipais.

Uma das formas de rentabilizar estas verdadeiras fraudes foi pedir empréstimos aos bancos dando como garantia os terrenos recentemente valorizados. Muitas vezes nem sequer foi necessário construir nada. Este é um dos motivos pelo qual os bancos nacionais detém uma quantidade enorme de créditos garantidos por imobiliário. No livro “Uma Tragédia Portuguesa” de António Nogueira Leite, lê-se na página 177/178:

Ele [Félix Ribeiro] numa entrevista que deu neste Verão de 2010 ao Público, referiu um estudo que foi feito para a Associação Nacional de Empreiteiros e Obras Pública, em que se mostra que a construção, por si só, representa 8% do PIB em 2009, mas que todo o cluster da construção no sentido mais alargado, ou seja, materiais de construção, promoção imobiliária, serviços ligados à habitação e obras públicas, representam 18% do PIB. [ … ] O que é extraordinário é que este sector absorvia 72% da totalidade de crédito concedido pelo sistema bancário

Em Junho de 2011, o economista Jorge Landeiro advertia:

«Na economia portuguesa existe uma bolha imobiliária que é tão importante como a de Espanha», disse à Lusa o economista, para quem em Portugal «se esquece e procura negar a existência da bolha, o que é grave, porque não permite que o problema seja atacado».

Mas ela existe, segundo Jorge Landeiro, porque há 300 mil casas novas (165 mil em Lisboa) que «nem sequer entram no mercado e onde estão recursos imobilizados na ordem mínima dos 90 mil milhões de euros». «Isto é um cancro» que é preciso «reconhecer» para depois «atacar».

Ou seja, temos evidência abundante sobre as formas como os banqueiros contribuíram de forma determinante para a destruição da economia nacional através de práticas temerárias que tinham como único desígnio a acumulação de poder e dinheiro.

Tudo isto levou a que o capital nacional fosse congelado em posições não produtivas. Em conversas de café costuma-se dizer que, apesar da situação economica actual, “existe por ai muito dinheiro”. E é verdade. Mas esse dinheiro está empatado em investimentos puramente financeiros, em jogadas de bastidores, em prédios que nem sequer foram estreados.

Tendo em vista o anterior, o que faz o nosso governo? Óbvio, vamos dar mais dinheiro aos banqueiros, dado que tiveram tanto cuidado e diligência em tratar do capital do país no passado. O estado não tem dinheiro? Não faz mal! Roubamos o dinheiro às classes médias e baixas que, claramente, têm vivido acima das suas possibilidades.

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10 thoughts on “Os islandeses começaram a prender banqueiros?

  1. Mas diz-se que as prisões portuguesas estão cheias
    Com quem ??
    Com os velhos que roubam chocolates no Pão de Açúcar ??

    • as prisões têm violadores, assassinos, tipos que roubaram mais de 80 carteiras, gajos que tinham mais de 3 mulheres a render, alguns que roubavam o erário e faziam competição aos nossos melhores…14 mil e picos

      mais 3000 do que na ditadura…onde havia mais desgraçados presos por roubar chicolates

  2. Sendo assim, não haveriam tribunais que chegassem para julgar a todos aqueles que autorizaram empréstimos sem garantias. Pois é mais que claro, que o estado não tem dinheiro, e as vitimas ( classes médias e baixas ) serão as apontadas como alvo, o que é de lamentar!!!!
    Mas outra situação que se aponta, serão os problemas bancários provenientes dos empréstimos que advém da falta de pagamento e do incumprimento das regras e condições obrigatórias aplicadas na aquisição do crédito.
    Lamentavelmente, é por estas e outras que estamos assim !!!

    • O estado não tem dinheiro? Então, quem salvou o BPN e o BPP? Quem paga mais de 7 mil milhões anuais só de serviço da dívida? Dinheiro há, está é a ser canalizado para a banca.

  3. Hervé Falciani, um engenheiro informático, de 40 anos de idade, foi detido em Barcelona, no Verão passado, mas não foi extraditado para a Suiça, como pretendiam as autoridades daquele país. Porquê? Porque negociou com espanhóis e franceses os dados que havia sacado durante seis anos, do sistema informático do HSBC de Genebra. Dinheiro por tributar, fuga aos impostos, este homem tem os elementos que revelam a maior fraude jamais descoberta.
    .
    O sr Botin do Santander e mais dois, já renderam 10.000 milhões euros de receita extra . Mas há a Nina Ricci a Dona da L’Oreal e muito mais. E os portugueses, ninguém consta da lista? Os capitalistas tugas, é tudo gente séria, tal qual os do banco do cavaquistão.

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