Medidas Anti-Crise: Vencimentos dos políticos

O governo continua a tomar medidas de estimulo à economia e de combate à crise. A última destas medidas estabelece o fim das indemnizações por despedimento para os contratos a prazo assim como novos limites para a prestação de sobrevivência e de subsídio em caso de morte e a diminuição das indemnizações para os contratos sem termo (os efectivos).

Todas estas medidas fazem parte da estratégia do governo de competirmos no mercado internacional, competirmos nomeadamente com a China através de salários baixos! – São uns génios! – Ainda temos algum caminho a percorrer mas tenho a certeza que, liderados por esta cáfila de iluminados chegaremos a bom porto.

Como cidadão não quero deixar de dar o meu contributo. Proponho por isso uma medida simples, durante a vigência do plano de apoio internacional, os salários dos políticos (todos os cargos, desde o Presidente da República até aos eleitos locais), assim como dos juízes dos tribunais superiores e todos os cargos de direcção superior de 1º grau da função pública), devem ser passados para o salário mínimo. Isto justifica-se facilmente, sem dúvida que na sua infinita sabedoria os políticos estabeleceram um salário mínimo suficiente para sustentar uma família de portugueses de forma digna, sem grandes luxos mas decente. Assim, estou certo, que todos os visados acolherão esta ideia de braços abertos.

Notar: o conceito de vigência do plano de apoio é um conceito elástico, pode ser até 2013, 2014, ou estender-se em fracções até 2017 ou mesmo indefinidamente.

Ainda durante a crise, deveremos abolir definitivamente o abono mensal. Não se trata de ajudas de custo (já lá vamos), trata-se de uma quantia paga para despesas de representação. Estas são regalias dificeis de perceber, como diria o nosso ministro Álvaro (o Ângelo Correia terá de se resignar com a perda de direitos adquiridos). Esta medida também vai aliviar a consciência de Cavaco Silva, que tendo prescindido do seu salário em troca de reformas maiores (grande homem!), nunca prescindiu do abono mensal, equivalente a 40% do seu salário.

Deveremos acabar, também definitivamente, com as ajudas de custo. Este é um caso um pouco mais delicado. Em vez de se pagar um valor fixo pelas deslocações (69.19€/dia em Portugal e 167.07€/dia no estrangeiro), devem ser pagas apenas as despesas efectivamente feitas sujeitas a um limite superior. De forma a manter a transparência (que todos os políticos desejam sem dúvida) as despesas deverão ser publicadas na Internet, item a item.

As ajudas de custo para assistir a reuniões de plenário ou de comissões nos órgãos para que foram eleitos, cargos pelos quais já auferem um ordenado (caso dos deputados e dos vereadores em regime de não permanência e os membros da assembleia municipal) serão simplesmente abolidas. Por exemplo os deputados da nação recebem 1107€/mês se tiverem residência fora da Grande Lisboa e 369€/mês em caso contrário.

Resta-nos as pensões. Proponho que sejam recalculadas de acordo com as reais contribuições pagas por cada cidadão. Assim, se neste momento estou a ganhar 18000€/mês, mas o volume das minhas contribuições não é suficiente para justificar esse valor, este deverá ser corrigido até estar de acordo com o meu historial contributivo. Isto tem de ser feito com redobrado cuidado e atenção por forma a não deixar escapar casos como o da Assunção Esteves. Este tipo de casos extremos põe-nos um problema, se considerarmos que a pessoa recebe a pensão, indevidamente do ponto de vista moral, desde a tenra idade dos 42 anos, então cada recebimento deve ser considerado uma contribuição negativa para o nosso fundo de pensões. Por questões humanitárias penso que a pensão que esta gente vai passar a receber (depois de fazerem 65 anos) deve ter como mínimo a pensão de sobrevivência, que tantos portugueses recebem. Para este último caso deve ser dado aos visados autorização para terem pequenas hortas à beira das estradas nacionais, como reconhecimento dos serviços prestados.

A imagem foi feita utilizando os icons monocromáticos do projecto KDE/Trinity disponíveis sob licença GPL v.2.

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15 thoughts on “Medidas Anti-Crise: Vencimentos dos políticos

  1. Estou plenamente de acordo com o Helder Guerreiro porque, muitos vão para política por não saberem fazer mais nada… são os chamados “chicos espertos”. A política, para mim, é uma espécie de seita. É muito fácil ser-se político… basta filiar-se num partido e depois, ser um pau mandado para tudo. Nem que seja para limpar uma retrete.
    Ao começar uma campanha eleitoral aumenta de intensidade o seu modo de trabalhar de forma a agradar aos seus manda-chuvas, seu pseudo amor pelo partido e pela ideologia do mesmo e, eis como nasce um deputado. Um “berço” de ouro à “pressão”.

  2. É um excelente texto e seria da mais elementar justiça a aplicação do seu conteudo. No entanto há uma questão que coloco, como portuguesa que sou e tendo em consideração que tenho a “mania” que conheço este povo, povo que sinceramente me deixa muito, mas mesmo muito cansada e é assim: quem são os portugueses e portuguesas, vulgo povo, que vão obrigar a que estas medidas sejam postas em prática? É que de acordo com o meu conhecimento o máximo que este povo faz é “come e cala”, autoculpabiliza-se por pura cobardia (é o caminho mais “fácil” acham eles) queixa-se no sofá enquanto vê as novelas, faz greve para ir para a praia e quando faz, não vai votar porque está sol ou está chuva, ou seja, não exercem o seu dever e direito de cidadania na sua forma mais elementar e mais grave ainda, quando vota, elege sempre as mesmas bestas, os mesmos ladrões, as mesmas moscas, a mesma merda. É que nem muda o cheiro. Por isso pergunto QUEM?

  3. Segundo a lei, só é possível requerer a reforma antecipada por quem tiver 55 anos de idade ou 30 anos de descontos.
    1ª violaçao da lei – Esta senhora tinha apenas 41 anos de idade quando lhe foi concedida a

    reforma de 7.255€.

    2ª violaçao da lei – A dita reforma foi concedida com apenas dez anos de contribuição.feitos por esta senhora.
    Pergunta a) – Quem deferiu o requerimento da reforma desta senhora passando por cima da lei?
    Pergunta b) – Está preso?
    Pergunta c) – Todos os que elegeram esta senhora para nº 2 do país desconheciam a ilegalidade da reforma desta da dita?
    Para aumentar o mau cheiro desta história, a dita senhora opta por receber o valor da sua reforma de 7255€ mais 2133 de ajudas de custo, que é complemento do salário de presidente da assembleia da república. Este fartar vilanagem dá para tudo, como o poder escolher o melhor de dois pagamentos mensais, enquanto os reformados depois de uma vida de trabalho, vê-se expoliado de dois meses da sua reforma..

  4. É isso, Helder.

    Toda a linha justificativa dos abonos, ajudas de custo, reformas, etc. parte do princípio de que quem exerce política acaba por ter prejuízo económico. Mas todas as evidências demonstram o contrário. Por isso, e correndo o risco de me voltarem a chamar de neo-fascista, para mim é muito difícil aceitar que, por um lado, a política não seja encarada como profissão (bolas!, há gente que nada mais tem no CV) e, por outro, que seja uma profissão sujeita a tantos casos distintos das restantes.

  5. Estou vendo que estas conversas e observações vão mesmo salvar o mundo – proposta de como fazer a parte que poderia ser feita – nada – boa – mobilização colectiva sem sar andar na rua, nada – eu não sei fazer senão faria uma petition – sei que há quem saiba – proponho que se faça e eu assinarei –

  6. Questão. E uma medida como essa não iria causar uma corrupção desenfreada por receberem o salário mínimo? Fuga de cargos políticos para altas cargos de empresas privadas (e rivais)? Sacos azuis e freeports a torto e a direito? O problema não está no salários dos políticos mas sim na forma como a democracia está neste momento aplicada. Deveria-se voltar olhar com mais atenção para Roma antiga e e senadores eleitos mas próximos do povo. Facto que é que não existe proximidade nenhuma entre o parlamento e o povo. São criadas umas listas como deputados que rodam conforme as amizades mantendo as mesma caras que aparecem todos os dias na comunicação social. Isso e a quantidade de Institutos fantoches para os boys (parque escolar vi ontem que era uma “festa”) são o cancro da democracia tal como a vivemos.

    Um regime democrático onde os deputados fossem eleitos talvez através por concelhias. Sendo que essas mesma concelhias teriam o poder de o destituir mediante regras com bom senso.
    O aparelho de estado hoje em dia e à semelhança de 1910 esta inundado da maçonaria. Foram Eles que derrubaram a monarquia… e já agora façam uma pesquisa e vejam quantos capitães de Abril hoje em dia estão em lojas maçónicas.

  7. O que mais me indigna é a falta de moralidade e vergonha da classe política. Como é que é possível que alguém, ainda na sua vida activa, desempenhando funções, recebe já uma reforma por um trabalho passado que teve? Acaso o cidadão comum, se mudar de empresa, começa a receber reforma relativa ao seu anterior posto de trabalho? E vazia é a argumentação de que se prestou um serviço ao país e por isso é devida recompensa. Mais vezes do que o contrário, é o país que serve a política…

  8. Depois de se saber deste escändalo os estupores dos tugas continuaram a votar nela e nos amigos dela.
    Querem o quê, milagres?

  9. É isso mesmo, Hugo Almeida: hoje quem inicia uma carreira política só tem como objectivo servir-se do país, muitas vezes a única saída para uma mediocridade que não teria lugar em qualquer outra carreira.

  10. Concordo plenamente. Pena que o povo português seja um povo de tão brandos costumes e que não lute pelo seu bem estar. E quando digo lutar não é andar a partir tudo e incendiar carros. Os politicos deviam viver com o ordenado minimo para darem valor ao que é sustentar uma familia e viver apenas com 485Euros, e não me venham dizer que eles tem mais estudos e responsabilidades, porque até agora a responsabilidade deles tem sido dar cabo da economia e prejudicar o povo em beneficio deles e dos compadrios.

  11. Issto é tão lindo anda um portugues a trabalhar mais de 30 anos para chegar a reforma e tens uma merda de 200 ate 300 euros e vai um caralho do cavaco que vai para a republica esta lá 5 anos na boa vida e ainda recebe uma boa reforma quem é que trabalha mais é um pobre agricultor ou um politico

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