O Pico do Petróleo Fácil de Compreender

O vídeo seguinte faz uma introdução, muito suave, à questão do pico do petróleo e as implicações dai resultantes.

Enquanto os políticos andam entretidos com a campanha eleitoral, existem problemas, já perfeitamente conhecidos, que vão atacar o país de uma forma dramática nos próximos anos. Vai acontecer mais ou menos como aconteceu com a crise financeira, em que tanto o primeiro ministro, como o próprio ministro das finanças se desdobraram em declarações, assegurando que tudo está bem, quando os especialistas e pessoas interessadas sabiam, desde há muito, o que se estava a preparar.

 



 

Com o problema da energia vai ser o mesmo. Já chegámos ao pico da produção de petróleo, ou então, segundo as opiniões mais optimistas, vamos lá chegar o mais tardar em 2014. É claro que os governos que se preocupam a construir uma base sólida para o futuro dos respectivos países têm este assunto bem estudado. Nós, por outro lado, se ouvirmos as declarações tanto do Presidente da República, como do actual Primeiro Ministro, ficamos simplesmente com vontade de chorar.

Esta crise está já a afectar, como catalisador, as duas crises que o país está a atravessar – o nosso problema com o crescimento económico e as estratégias associadas nos últimos 50 anos e a crise de financiamento externo. Vai continuar no entanto a ser olimpicamente ignorada por todos quantos são responsáveis (refiro-me aos sucessivos governos e aos partidos da oposição, em partes iguais).

Notas:

i. No site da secção portuguesa da Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e do Gás encontra recursos para ficar a saber mais sobre o pico do petróleo;

ii. Para mostrar que os estados estão muito cientes da problemática do pico do petróleo, listo a seguir alguns relatórios que deram que falar nos últimos anos.

Esta lista está longe de ser exaustiva.

iii. Os sinais alarmantes estão a vir também das próprias companhias petrolíferas. Ver por exemplo o relatório da Shell: Shell energy scenarios to 2050.

 

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11 thoughts on “O Pico do Petróleo Fácil de Compreender

  1. O pico de petróleo, ou melhor, o pico nos preços do petróleo, é preocupante a curto-médio prazo se ocorrer um cenário de crescimento económico contínuo nos países que têm maior consumo, levando ao aumento dos preços. O que está a agora a acontecer é a concretização de nova recessão, desta vez de génese europeia, que está a baixar os preços (caíram mais de 20$ em poucas semanas). Claro que a contraciclo temos 250 milhões de novos condutores nos BRICS nos próximos 5 anos, se se mantiver o seu crescimento económico interno… dependente de economias saudáveis na OCDE.

    Portugal parece um país espectacularmente mal preparado para preços altos de combustível, desde a sua dependência da rodovia de carga (95%?), passando por uma gigantesca sobre-infraestruturação rodoviária que afunda as finanças públicas, até à aniquilação que se prepara para infligir à sua ferrovia e redes de transportes públicos, que ao contrário de outros países não saiu dos anos 60 ou 80, consoante os casos.

    Mas o pior de tudo é mesmo a cultura de dependência do carro, da hostilidade aos transportes colectivos e a indiferença à origem dos produtos dos portugueses ou a investimentos nos portos e ferrovia de carga. Talvez o barril de petróleo a 125$ faça maravilhas para um esforço cultural de adaptação a um esquema civilizacional um pouco menos demente.

    • O pico de petróleo, ou melhor, o pico nos preços do petróleo

      Estou mesmo a referir-me ao pico de produção de petróleo.

      O petróleo, como qualquer outro recurso não renovável, vê o seu ritmo de produção constrangido a uma curva em forma de sino. Isto é, se considerarmos um qualquer campo petrolífero, observa-se que o ritmo de produção vai aumentar desde a sua descoberta até atingir um máximo de produção (o chamado pico) e depois de se ultrapassar esse pico o ritmo de produção vai inexoravelmente diminuir, até ao ponto em que o campo petrolífero já não rentável do ponto de vista económico, altura em que é encerrado.

      Uma consequência imediata de termos passado o pico de produção é a volatilidade de preços.

      Quanto ao resto do seu comentário, estou de acordo.

      • Como existimos num único planeta não há nada que não tenha um limite físico, mesmo aqueles recursos que dependem de ciclos de renovação, que temos vindo a interromper, como a água. Dito isto, existe um “pico” de absolutamente tudo especialmente de matérias primas da indústria extractiva como o petróleo, o fosfato e o cobre, tudo materiais cruciais para a economia global que já ultrapassaram ou estão prestes a ultrapassar o seu pico de extracção, que vem (se vier) depois da perda de viabilidade económica.

        Muito antes de se verificar a exaustão definitiva do recurso existirá um plateau de preços altos (com a volatilidade devida à especulação, é certo) que irá encorajar recessões globais e/ou melhor eficiência nos transportes. Até lá dá uns pontapés a castelos de cartas financeiros como agora e em 2008.

        Não há nenhum motivo para que não seja positivo e até vantajoso habitar num mundo menos dependente do petróleo, pelo que o seu alerta é pertinente.
        Espero que se venha a conhecer um modo melhor de preparar a sociedade para esta inevitabilidade sem o litro de gasolina chegar a 2€ e greves de camionistas congelarem o abastecimento de bens.
        A médio prazo vamos ter que decidir se continuamos a subsidiar a dependência do petróleo até limites espectaculares de endividamento ou se procuramos fazer as coisas de outra maneira.

  2. Ou seja, imaginando que havia uma autoridade de concorrência que trabalhasse a sério e retirava os cêntimos a mais cobrado pelo oligopolio liderado pela Galp, continuamos com um problema sério que não está a ser enfrentado em portugal.

    Ainda bem que pagamos tanta scut e AE’s do bolso do contribuinte!

    • Sem prejuízo para investigações devidas da AC, a Galp não tem controle sobre o output de Russos, Nigerianos e Venezuelanos. Dá que pensar se para além de boicotar a refinadora nacional não deveríamos boicotar também os Chávez, Putins, Kaddafis e príncipes sauditas deste mundo.

  3. Aos comentadores anteriores:

    Se calhar, antes de comentar, vocês deveriam inteirar-se do que realmente trata o post.

    Pico do petróleo refere-se ao pico da Extração do petróleo e não a algum pico nos preços…

    Trata-se de uma questão totalmente diferente e muito mais complexa e perigosa que, como refere o post, vai ser esquecida, por ignorância ou interesse, até que seja tarde demais para avitar uma catástrofe, tal como aconteceu com a crise financeira.

    • A extracção do petróleo depende de uma relação custo-benefício- é cada vez mais caro extrair o petróleo por um conjunto de limitações físicas de reservatórios mais acessíveis. Antes de acabar o petróleo, este atinge preços que o tornam impossível de utilizar até à exaustão. Procura e oferta…

      • Perfeitamente.
        Mas isso não invalida o que disse antes.
        Os preços não passam de uma variável dependente, entre outros factores, do pico do petróleo, o qual é o problema fundamental..

        • Fundamental é a palavra certa!
          Mas incompreensivelmente este é ainda um assunto marginal e totalmente fora do radar político, apesar do governos alemão e do britânico terem criado grupos de trabalho e planos para lidar com as primeiras manifestações do problema.

          A realidade é que a nossa primeira reacção vai ser a mesma de todos: eliminar substancialmente a carga fiscal dos combustíveis.
          É veneno político governar com combustíveis altos e apostar em medidas preventivas que desafiam alguns aspectos do nosso estilo de vida…

        • Um dos motivos de ter feito este post foi exactamente divulgar este problema. Os nossos políticos vivem numa bolha de realidade alternativa, são impermeáveis à razão e limitam-se a governar (ou fazer oposição) apenas numa perspectiva de reacção.

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