O elefante na sala

As pessoas estão fartas dos políticos e das suas cantigas de embalar. Da esquerda à direita vemos todos os dias aparecerem novos casos que provam, sem sombra de dúvida, que a nossa classe política vive cada vez mais apenas para ela mesma. Desligada das necessidades e sentimentos daqueles que supostamente são a sua razão de ser, os eleitores e demais cidadãos pelos quais são responsáveis. Os políticos preferem chafurdar no pântano da pequena política, preferem o golpe mesquinho que lhes dá uma um pequenino ganho material, preferem representar “O Padrinho“.

Estas últimas eleições presidenciais são exemplo disso:


Mais de metade dos eleitores absteve-se de ir votar. Os políticos fogem de discutir este assunto como o diabo da cruz, e já o fazem há muito tempo. Proferem umas quantas palavras de circunstância antes e depois dos actos eleitorais e depois o assunto é rapidamente esquecido. E assim vai continuar a ser enquanto tivermos os políticos que temos, dado que apenas o estado actual das coisas que lhes permite prosperar.

Felizmente, ou não, os tempos parecem estar a mudar. A situação económica do país avança inexoravelmente para o abismo, pelo que os portugueses mais dia menos dia vão ser obrigados a sair da sua apatia e fazer um bocadinho mais pelo país do que apenas não ir votar. Com um pouco de sorte, nessa altura, teremos oportunidade de nos livrar desta sarna que nos consome.

Há sinais encorajadores que parecem apontar no bom caminho, a sociedade civil organiza-se cada vez mais à margem dos partidos, a internet permite um sem número de formulas organizacionais onde se inova, onde se produz política no sentido mais nobre do termo. Estou a pensar em blogs como o Aventar, em fóruns de discussão e redes sociais, estou a pensar enfim, numa sociedade muito mais informada do que tínhamos há escassos 10 anos.

Além disto, sites tipo wikileaks proliferam, pondo a nu as manobras dos governos e organizações, que até há bem pouco tempo operavam com absoluta impunidade. A pouco e pouco a imagem reverencial que muitos portugueses tinham do estado e “das coisas oficiais” vai desaparecendo, sendo substituída por uma salutar suspeita e exigência de serviço de qualidade.

Antes os governantes podiam contar com a ignorância dos cidadãos e na impossibilidade prática destes ficarem serem iniciados nos segredos da administração. Cada vez mais isso já não é assim, pese embora a barragem de contra-informação com que somos bombardeados.

Fará sentido termos esperança no futuro?

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